Seminário em Florianópolis discute futuro da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Assim que assumiu interinamente a Presidência da República, Michel Temer instituiu a Medida Provisória 744/2016, que extingue o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e retira a participação da sociedade civil na gestão da emissora.

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A proposta de Temer provocou inúmeras críticas e protestos de movimentos sociais e entidades da sociedade civil organizada. Rita Freire, presidenta do Conselho Curador da EBC, declarou nas mídias sociais. “A democracia brasileira acaba de sofrer mais um golpe com a publicação da Medida Provisória que acaba com o caráter público da nossa Empresa Brasil de Comunicação, ao derrubar seus instrumentos de autonomia: o Conselho Curador, que assegura a participação da sociedade na sua gestão, e o mandato do diretor-presidente, o mesmo que foi assegurado pela liminar do ministro do Supremo, Dias Tóffoli. A resistência aos desmandos não começa agora. Está nas ruas, sob repressão e violência do Estado mas com a coragem necessária para defender o País das sombras trazidas pelos golpistas”.

A MP está tramitando no Congresso e atualmente passa por uma avaliação de uma Comissão Especial, cuja relatoria está com o Senador Lasier Martins, do PDT Gaúcho e a revisão é responsabilidade da Deputada Federal Angela Albino, do PCdoB de Santa Catarina.

Leia o artigo na íntegra em: http://ciranda.net/Seminario-em-Florianopolis-discute

Diversidade cultural e linguística na Internet: Um princípio ou um fim?

Documento final da Arena NET Mundial elege a diversidade como um dos princípios para a Governança da Internet

(Escrito por mim e por Thiago Skárnio para a ONG francesa Ritimo, este artigo trata da relevância da Diversidade Cultural em uma Internet cada vez mais ameaçada por mercados e governos)

ArenaNET-Skárnio

Entre os elementos que entrelaçam a malha de valores que envolve a única espécie sapiente do planeta, há cada vez mais fibra óptica e microchips que aproximam visões de mundo até então separadas pela geografia e delays da mídia de massa do século passado. A Internet colocou lado a lado na tela do computador xiitas e trekkies, zapatistas e donas de casa.
Essa mistura globalizada pode ser tão enriquecedora para os repertórios individuais dos cidadãos conectados, quanto perigosa, ao confrontar ideias e costumes.
Por isso, a “Diversidade Cultural e Linguística” foi elencada na Declaração Multissetorial do NETmundial, encontro internacional sobre o futuro da Governança da Internet, realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e a /1Net, nos dias 23 e 24 de abril de 2014 em São Paulo.
Lê-se no documento final do encontro: “A governança da Internet deve respeitar, proteger e promover a diversidade cultural e linguística em todas as suas formas”.
A influência norte-americana na Internet é alvo de críticas pela comunidade internacional há anos, que reivindicam o compartilhamento de decisões que afetam a segurança e a distribuição de recursos da infraestrutura da rede, hoje sob gerenciamento da ICANN (acrônimo em inglês para Corporação da Internet para Atribuição de Nomes e Números), entidade sem fins lucrativos, subordinada ao Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Diversidade Cultural: a ecologia dos símbolos

A resistência estadunidense a qualquer iniciativa contra-hegemônica é esperada em toda reunião internacional. Foi assim durante a Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança Climática em 1997, no qual o país se recusou a assinar o Tratado de Quioto pela redução da emissão dos gases na atmosfera por considerá-lo prejudicial à sua economia interna e foi assim também na Convenção sobre a Diversidade Cultural da UNESCO, realizada em Paris em 2005. A objeção norte-americana, desta vez, se deu por considerar a redação do texto “protecionista” e “ambígua” ao expressar que os países possam apoiar determinados produtos culturais, independentemente das regras de livre comércio.
Posturas unidimensionais sempre foram uma ameaça a diversidade. Seja ambiental ou cultural. Assim como a biodiversidade é considerada essencial para a vida na Terra, a diversidade cultural pode ser fundamental para a existência de uma sociedade equilibrada.
A professora Ana Carla Fonseca Reis, em seu trabalho apresentado no II Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (ENECULT), relacionou a similaridade existente entre as ameaças e desafios apresentados às diversidades cultural e biológica na Convenção pela Diversidade Biológica, em 1992: “A preservação e o uso duráveis da diversidade biológica reforçarão as relações amigáveis entre os Estados e contribuirão à paz da humanidade”, com o texto da Convenção pela Diversidade Cultural: “O respeito à diversidade das culturas, à tolerância, ao diálogo e à cooperação, em um clima de confiança e de entendimento mútuos, estão entre as melhores garantias da paz e da segurança internacional”.
Em uma entrevista para o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILPP), o Presidente da Fundación Redes y Desarrollo (FUNREDES), Daniel Pimienta, destaca que ainda existe um longo caminho a ser superado “para uma justa representação das línguas no mundo virtual, como um espelho do mundo real” em um ambiente ainda com uma forte predominância da língua inglesa. “De 6000 a 9000 línguas ainda existentes no mundo, menos de 500 têm uma existência digital (uma codificação que pode representá-los em um computador), a Wikipedia é, de longe, a aplicação que suporta a maior diversidade, tem 264 idiomas. O Google processa cerca de 54 línguas” lembra Pimienta.
O debate internacional sobre a Diversidade Cultural é realizado desde a criação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1945. Desde então a organização realiza ações de fomento a salvaguarda do patrimônio cultural e a preservação de tradições orais, além de encontros como a Conferência Mundial sobre Direitos Linguísticos, realizada na Espanha, em 1996.
A Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais foi adotada pela Conferência Geral da UNESCO em 2005, mas só entrou em vigor em 2007, após ser ratificada por mais de 50 países.
No mesmo ano, o Brasil, que sediou o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural, também aprovou a Convenção no Senado, coroando um protagonismo nas articulações internacionais em prol da causa.
O Ministério da Cultura brasileiro já promovia políticas direcionadas à proteção e promoção da diversidade através do programa Cultura Viva, direcionado aos diversos segmentos sociais como os indígenas, os quilombolas, ribeirinhos, público LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) desde o início da gestão de Gilberto Gil, durante o governo Lula, criando em 2003 uma secretaria específica para a Identidade e a Diversidade.
Em consonância com a Convenção da Diversidade cultural, o MinC realizou ações que incidiram sobre o fenômeno cultural em ações transversais pelo prisma da diversidade cultural. Uma destas ações foi a realização do Seminário e Oficina de Indicação de Políticas Públicas para a Cultura e Comunicação no Rio de Janeiro, em 2012. O objetivo do evento foi o debate e proposição de políticas públicas para a construção do Programa Comunica Diversidade, que visa a promoção e difusão da diversidade cultural.
Outra contribuição brasileira para o debate da Diversidade Cultural no mundo foi a aprovação do Marco Civil da Internet, em Abril de 2014, durante a NETMundial.
O Marco Civil trata de pontos prioritários no que se refere à proteção e promoção da diversidade cultural na Internet, ao regulamentar a neutralidade, privacidade, proteção e liberdade de expressão na rede.

Diversidade analógica e digital

Durante a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação na Tunísia, em 2005, onde a diversidade cultural e linguística no ciberespaço foi identificada como uma das prioridades, foi lançada pela Academia Africana das Línguas a “Rede Maaya” com a missão de valorizar e promover a diversidade linguística como base fundamental da comunicação.
Os objetivos da Rede Maaya são os seguintes:
Incentivar governos e instituições a adotar e implementar medidas que favoreçam um multilinguismo equitativo;
Promover uma educação bi- e/ou multilingue baseada na língua materna, em todos os níveis da educação no mundo inteiro a fim de garantir igualdade social e entre os sexos;
Promover a localização de “software” bem como o acesso de todas as línguas no ciberespaço;
Facilitar o empoderamento das comunidades linguísticas no mundo inteiro no desenvolvimento e uso da sua própria língua;
Contribuir para a criação e o intercâmbio de recursos linguísticos;
No Fórum de Governança da Internet (IGF), realizado em 2007 no Rio de Janeiro, ocorreu a reunião da Coalizão Dinâmica pela Carta de Direitos da Internet, que tratou sobre a diversidade cultural na Internet.
Durante o evento, em entrevista para a Observatório do Direito à Comunicação, Catherine Trautmann, do Parlamento Europeu, declarou que a verdadeira questão de fundo do documento foi “como podemos compreender e respeitar as diferenças étnicas e a diversidade cultural em um acesso universal, em um espaço que é internacional”.
Um dos maiores desafios para promover maior diversidade na rede é a expansão do conteúdo em outras línguas. Dentro desta problemática, a UNESCO assinou um acordo em 2009 com a ICANN, que prevê o registros de domínios que não pertençam ao alfabeto latino, passando a aceitar endereços de websites em caracteres de alfabetos não-latinos, como árabe e chinês.
Países como Tailândia e China já usavam mecanismos para driblar a dificuldade, conseguindo usar endereços completos no alfabeto local. O primeiro site a adotar oficialmente o endereço em Árabe foi o do Ministério das Comunicações do Egito, e, ironicamente, o primeiro domínio registrado com alfabeto Árabe naquele país foi do então presidente Mohamed Mubarak (مبارك.مصر), o mesmo, que anos depois, durante a Revolução Egípcia de 2011 mandaria derrubar a internet no país para abafar o poder de articulação dos manifestantes, que utilizaram as mídias sociais para articular os protestos que resultaram em sua renúncia.
No capítulo dedicado à “Comunicação e conteúdo cultural” do Relatório de 2013 da UNESCO, o documento alerta para o fato de que, mesmo com a ampla digitalização da imprensa, cinema, literatura e televisão deve-se considerar até que ponto essas expressões traduzem a realidade e a dinâmica da Diversidade Cultural no mundo.
O abismo digital entre aqueles que ainda não possuem acesso a rede mundial de computadores continua a limitar as oportunidades de um verdadeiro intercâmbio cultural.
A Internet tem potencial para fortalecer a democracia através da promoção da identidade e interesses de minorias. Este potencial pode superar o desequilíbrio de poder político e econômico entre o local e o global, e transpor as fronteiras entre os diferentes grupos da sociedade.

P.S.:

Ritimo: http://www.ritimo.org

Documento final da Arena NET para download: http://netmundial.br/wp-content/uploads/2014/04/NETmundial-Multistakeholder-Document.pdf

Entrevista com Daniel Pimienta:http://iilp.wordpress.com/2012/03/23/entrevista-com-daniel-pimienta/

“Diversidade na rede depende de conteúdos em diversos idiomas”:http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=1952

Coalizão Dinâmica para a Diversidade Lingüística:http://www.maayajo.org/spip.php?article6

“Egito: E o primeiro domínio em [alfabeto] Árabe vai para… O presidente Mubarak”: http://pt.globalvoicesonline.org/2010/06/25/egito-e-o-primeiro-dominio-em-alfabeto-arabe-vai-para-o-presidente-mubarak/

Convenção sobre a Diversidade Cultural da UNESCO:http://www.cultura.gov.br/politicas5/-/asset_publisher/WORBGxCla6bB/content/convencao-sobre-a-protecao-e-promocao-da-diversidade-das-expressoes-culturais/10913

Observatório da Diversidade Cultural:http://observatoriodadiversidade.org.br/

Artigo de Ana Carla Fonseca Reis:www.cult.ufba.br/enecul2006/ana_carla_fonseca_reis.pdf

Relatório da UNESCO: http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001847/184755S.pdf

Relatório Comunica Diversidade:http://culturadigital.br/comunicadiversidade/

Declaração Multissetorial do NETmundial:http://cgi.br/publicacao/declaracao-multissetorial-do-netmundial/99

Cronologia de documentos internacionais sobre a diversidade cultural:http://observatoriodadiversidade.org.br/site/pesquisa/linha-do-tempo/

Artigo de Giuliana Kauark:http://culturadigital.br/politicaculturalcasaderuibarbosa/2010/09/23/comunicacoes-individuais-artigos-em-pdf/

 

Leia também na ciranda.net e em skarnio.tv.

Eduardo de Jesus

Ilustração: Ribs
Não vai ter Páscoa no Alemão. Eduardo, 10 anos, filho de Terezinha.

Hoje é páscoa. Ressurreição. E meu filho completa 16 anos.
Enquanto preparo bolo de chocolate, penso na mãe do menino Eduardo, lá no Complexo do Alemão. Eduardo de Jesus Ferreira, morto com um tiro de fuzil na cabeça, na porta de casa, há três dias, com 10 anos de idade.
Sem confronto. Sem chance.
O crime de Eduardo foi ser pobre e favelado.
O carrasco de Eduardo? Um policial.
Os braços da mãe de Eduardo estão vazios hoje.
Eduardo não vai virar bombeiro como sonhava, não vai salvar ninguém, a vida da mãe de Eduardo também acabou quando ela viu o corpinho do menino sem vida no chão.
Eduardo não vai ressuscitar.

“Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa.
Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.” João 15:11-12

+ info: http://goo.gl/mvw6BG

Entrevista com Luiz Henrique Cudo, produtor cultural, morador de Florianópolis há duas décadas, e ator do ERRO Grupo, de Teatro de Rua

Cudo é um cara tranquilão, capaz de ficar nu (e ficou) em plena Felipe Schmidt, movimentada rua do centro de Floripa, se isso servir como base para a entrega total ao personagem da vez. Além de ator, o rapaz é músico, dirigiu e atuou em curta-metragens, participou do coletivo de ativismo cultural Expressão Sarcástica e apresentou o programa Patrola, na RBS TV.

Olá, Cudo. Quando você começou a atuar? De que modalidades de teatro você já participou?

Comecei no teatro aos 13 anos e já fiz muito teatro de palco, dos mais variados gêneros: comédia, tragédia, teatro do absurdo, drama, teatro político, teatro de animação, teatro infantil, e claro, teatro de rua.

Como é o trabalho com o ERRO Grupo? Como vocês definem a proposta do ERRO?

O ERRO Grupo se define por uma espécie de hibridização do fazer teatral, fundindo elementos do teatro, das artes visuais, da performance, mas sempre com o olhar voltado para o espaço urbano. Por conta dessa multiplicidade de elementos das mais variadas linguagens, definir o trabalho do ERRO sempre deu muito trabalho, mas nós adotamos o termo teatro”, pois entendemos que o teatro é a forma artística que abrange todos os elementos oriundos de outras linguagens e tanto a performance, quanto a intervenção e ação cabem dentro da noção de teatro que usamos. E como agimos no espaço urbano, é evidente que a rua aparece na definição, ficando “teatro de rua” como a definição do nosso trabalho. Mas também deixamos livre para quem quiser classificar de forma diferente, sejam críticos, jornalistas ou até mesmo outros artistas.

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Foto: Leco Resende

Como você vê o jornalismo cultural catarinense? Consideras que há espaço para o debate de políticas públicas para a cultura, ou os cadernos destinados ao assunto nos jornais locais funcionam mais como agenda de eventos? Se sim, o espaço destinado a divulgar as produções alternativas é proporcional ao espaço destinado às as produções comerciais?


Essa é uma questão que, embora eu tenha trabalhado por algum tempo na área do jornalismo, mais especificamente do jornalismo cultural, e ainda não entendo ao certo o que se passa. O que sinto é que há uma vontade, um desejo muito forte dos jornalistas dos cadernos/editorias ligados à cultura de estabelecer um cenário e que aos poucos vai se abrindo esse espaço para debate. Mas ao mesmo tempo, não sei dizer se o público leitor destes veículos se interessa por isso. De todo modo, podemos notar algumas trincheiras que já foram abertas e estão sendo defendidas. Acho que é um passo gradual e natural, na mesma medida que a própria produção artística vai se intensificando e se consolidando a cidade e no estado. Não para noticiar o que não acontece. Quanto às agendas culturais, eu vejo aí um grande motivo de orgulho, pois cerca de 14, 15 anos atrás, isso não existia. E à medida que a produção foi se intensificando, foi-se criando e conquistando esse espaço, ao ponto de hoje o público interessado ter várias opções de atrações artísticas e culturais e das agendas culturais cumprirem um papel importante. E acho que não cabe aqui discutir o mérito de qualidade ou o aspecto comercial ou não dessas produções. Pois se estamos falando de mercado, é oferta e demanda, basicamente. Se há demanda, haverá oferta. E eu só posso, além de não prestigiar, lamentar.

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Foto: Henrique Pereira / FAÇA

Como é ser um produtor de cultura alternativa em terras catarinenses?

Bom, é muito difícil atuar em qualquer atividade com a qual as pessoas que você terá que lidar não fazem a mínima ideia do que seja ou que, pior ainda, não respeitam. E é aí que eu acho que reside a principal dificuldade da função em Santa Catarina. Desnecessário falar da importância da função para o exercício da prática e do fazer artístico, porém ainda vejo uma carência na formação voltada à produção cultural independente e na fruição artística que vá além das exigências de mercado. Claro que falo isso a partir da ótica do trabalho do ERRO Grupo, que desenvolve experiências para além do teatro convencional e da lógica comercial.

Ativismo de sofá também vai à escola

Como os assuntos discutidos nas redes na internet influenciam a vida dos jovens conectados e pautam a defesa de direitos humanos e sociais.

Isadora da Costa Cardoso tem 16 anos de idade, cursa o segundo ano do ensino médio e costuma navegar na internet todos os dias. Ela tem preferência pelas mídias sociais Twitter e Facebook.
No último mês, o professor de Sociologia da escola em que Isadora estuda, pediu para que os alunos realizassem um trabalho que seria apresentado em sala de aula para os demais estudantes da classe. O tema seria escolhido pelos próprios alunos titulares da pesquisa. A estudante escolheu o tema Violência Contra a Mulher, após a leitura de uma reportagem divulgada no Twitter sobre uma indiana que foi violentada pelo próprio tio. Logo após a escolha do tema do trabalho, Isadora resolveu acrescentar outros tópicos para abordagem no estudo que seria realizado. O espaço para a apresentação à “plateia” também tornou-se mais abrangente.

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Tradução da frase na camiseta: “Meu corpo, minhas regras”

“Algumas semanas depois foi anunciada a Feira Cultural da minha escola (Escola de Educação Básica Leonor de Barros). Decidi, então, apresentar o trabalho na Feira Cultural, para todos os alunos que quisessem assistir. O assunto era importante demais para permanecer restrito à sala de aula”, justifica a adolescente.

A pesquisa, além de abordar as várias formas de violência contra a mulher, falaria também sobre os direitos conquistados durante o passar das décadas. E assim foi feito.

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Em seguida, o trabalho foi escolhido para a Feira Regional de Ciência e Tecnologia, no Centro Multiuso de São José, na qual foi abordado o recorte do protagonismo feminino e recebeu o título “A mulher na sociedade”, com a trajetória da cientista e feminista Bertha Lutz como pano de fundo.
A apresentação foi feita com cartazes com frases e ilustrações de efeito, e um banner com uma linha do tempo, mostrando o que mudou na forma como a mulher (cis¹ e trans²) é vista pelo mundo, passando por momentos históricos importantes como a conquista do direito ao voto e dos direitos trabalhistas femininos. “Nessa linha do tempo pudemos perceber as diferenças entre o feminismo atual e o da década de 60, por exemplo.”
Além de sites e blogs especializados no tema, o grupo Anarcofunk foi fonte de inspiração durante a pesquisa, já que ilustra os ataques cotidianos da sociedade à liberdade e a dignidade das mulheres.

 

Glossário:

cis¹: Cissexual ou cisgênero são termos utilizados para se referir às pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado no seu nascimento.
Isto é, configura uma concordância entre a identidade de gênero e o sexo biológico de um indivíduo.
trans²: Transgeneridade refere-se à condição onde a expressão de gênero e/ou identidade de gênero de uma pessoa é diferente daquelas atribuídas ao gênero designado no nascimento. Mais recentemente o termo também tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa “além de”, “através de”.
Transgênero é um conceito abrangente que engloba grupos diversificados de pessoas que têm em comum a não identificação com comportamentos e/ou papéis esperados do gênero biológico, determinado no seu nascimento.

A Menina Distraída vira heroína

Vanessa Bencz é uma joinvillense que se descobriu com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) muito jovem, ainda em idade escolar.

Por causa das distrações constantes recebeu diversos apelidos pejorativos na adolescência: Burra, lixo, avoada, cabeça de vento, foram alguns deles. Mas ela não se deixou vencer pelas ofensas que ouviu.

Cresceu, superou os obstáculos e hoje, 20 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Bullying, lança o primeiro capítulo da HQ A Menina Distraída. A produção foi financiada pela plataforma de financiamento colaborativo Catarse. Veja aqui o projeto.

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Conheça o site da HQ e faça o download gratuito da obra em: http://ameninadistraida.com.br/

Tarrafa Hacker Clube – O primeiro Hackerspace de Florianópolis

Imagine um laboratório para você pôr em prática ideias e projetos, onde se compartilhe conhecimentos e o foco não seja necessariamente a construção de algo comercializável.  Com programação fixa de atividades, porém aberto à utilização criativa do ambiente e do tempo, conforme os interesses dos frequentadores que montam, desmontam e transformam velhos aparelhos eletrônicos em máquinas inéditas.  Esta é uma descrição resumida das possibilidades de um Hackerspace e engana-se quem pensa que esse tipo de espaço reúne apenas entendidos em eletrônica e programação.

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Leia o artigo na íntegra em: http://www.ganesha.org.br//pagina/16115/tarrafahackerclube-oprimeirohackerspacedeflorianopolis