Entrevista com Luiz Henrique Cudo, produtor cultural, morador de Florianópolis há duas décadas, e ator do ERRO Grupo, de Teatro de Rua

Cudo é um cara tranquilão, capaz de ficar nu (e ficou) em plena Felipe Schmidt, movimentada rua do centro de Floripa, se isso servir como base para a entrega total ao personagem da vez. Além de ator, o rapaz é músico, dirigiu e atuou em curta-metragens, participou do coletivo de ativismo cultural Expressão Sarcástica e apresentou o programa Patrola, na RBS TV.

Olá, Cudo. Quando você começou a atuar? De que modalidades de teatro você já participou?

Comecei no teatro aos 13 anos e já fiz muito teatro de palco, dos mais variados gêneros: comédia, tragédia, teatro do absurdo, drama, teatro político, teatro de animação, teatro infantil, e claro, teatro de rua.

Como é o trabalho com o ERRO Grupo? Como vocês definem a proposta do ERRO?

O ERRO Grupo se define por uma espécie de hibridização do fazer teatral, fundindo elementos do teatro, das artes visuais, da performance, mas sempre com o olhar voltado para o espaço urbano. Por conta dessa multiplicidade de elementos das mais variadas linguagens, definir o trabalho do ERRO sempre deu muito trabalho, mas nós adotamos o termo teatro”, pois entendemos que o teatro é a forma artística que abrange todos os elementos oriundos de outras linguagens e tanto a performance, quanto a intervenção e ação cabem dentro da noção de teatro que usamos. E como agimos no espaço urbano, é evidente que a rua aparece na definição, ficando “teatro de rua” como a definição do nosso trabalho. Mas também deixamos livre para quem quiser classificar de forma diferente, sejam críticos, jornalistas ou até mesmo outros artistas.

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Foto: Leco Resende

Como você vê o jornalismo cultural catarinense? Consideras que há espaço para o debate de políticas públicas para a cultura, ou os cadernos destinados ao assunto nos jornais locais funcionam mais como agenda de eventos? Se sim, o espaço destinado a divulgar as produções alternativas é proporcional ao espaço destinado às as produções comerciais?


Essa é uma questão que, embora eu tenha trabalhado por algum tempo na área do jornalismo, mais especificamente do jornalismo cultural, e ainda não entendo ao certo o que se passa. O que sinto é que há uma vontade, um desejo muito forte dos jornalistas dos cadernos/editorias ligados à cultura de estabelecer um cenário e que aos poucos vai se abrindo esse espaço para debate. Mas ao mesmo tempo, não sei dizer se o público leitor destes veículos se interessa por isso. De todo modo, podemos notar algumas trincheiras que já foram abertas e estão sendo defendidas. Acho que é um passo gradual e natural, na mesma medida que a própria produção artística vai se intensificando e se consolidando a cidade e no estado. Não para noticiar o que não acontece. Quanto às agendas culturais, eu vejo aí um grande motivo de orgulho, pois cerca de 14, 15 anos atrás, isso não existia. E à medida que a produção foi se intensificando, foi-se criando e conquistando esse espaço, ao ponto de hoje o público interessado ter várias opções de atrações artísticas e culturais e das agendas culturais cumprirem um papel importante. E acho que não cabe aqui discutir o mérito de qualidade ou o aspecto comercial ou não dessas produções. Pois se estamos falando de mercado, é oferta e demanda, basicamente. Se há demanda, haverá oferta. E eu só posso, além de não prestigiar, lamentar.

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Foto: Henrique Pereira / FAÇA

Como é ser um produtor de cultura alternativa em terras catarinenses?

Bom, é muito difícil atuar em qualquer atividade com a qual as pessoas que você terá que lidar não fazem a mínima ideia do que seja ou que, pior ainda, não respeitam. E é aí que eu acho que reside a principal dificuldade da função em Santa Catarina. Desnecessário falar da importância da função para o exercício da prática e do fazer artístico, porém ainda vejo uma carência na formação voltada à produção cultural independente e na fruição artística que vá além das exigências de mercado. Claro que falo isso a partir da ótica do trabalho do ERRO Grupo, que desenvolve experiências para além do teatro convencional e da lógica comercial.

Ativismo de sofá também vai à escola

Como os assuntos discutidos nas redes na internet influenciam a vida dos jovens conectados e pautam a defesa de direitos humanos e sociais.

Isadora da Costa Cardoso tem 16 anos de idade, cursa o segundo ano do ensino médio e costuma navegar na internet todos os dias. Ela tem preferência pelas mídias sociais Twitter e Facebook.
No último mês, o professor de Sociologia da escola em que Isadora estuda, pediu para que os alunos realizassem um trabalho que seria apresentado em sala de aula para os demais estudantes da classe. O tema seria escolhido pelos próprios alunos titulares da pesquisa. A estudante escolheu o tema Violência Contra a Mulher, após a leitura de uma reportagem divulgada no Twitter sobre uma indiana que foi violentada pelo próprio tio. Logo após a escolha do tema do trabalho, Isadora resolveu acrescentar outros tópicos para abordagem no estudo que seria realizado. O espaço para a apresentação à “plateia” também tornou-se mais abrangente.

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Tradução da frase na camiseta: “Meu corpo, minhas regras”

“Algumas semanas depois foi anunciada a Feira Cultural da minha escola (Escola de Educação Básica Leonor de Barros). Decidi, então, apresentar o trabalho na Feira Cultural, para todos os alunos que quisessem assistir. O assunto era importante demais para permanecer restrito à sala de aula”, justifica a adolescente.

A pesquisa, além de abordar as várias formas de violência contra a mulher, falaria também sobre os direitos conquistados durante o passar das décadas. E assim foi feito.

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Em seguida, o trabalho foi escolhido para a Feira Regional de Ciência e Tecnologia, no Centro Multiuso de São José, na qual foi abordado o recorte do protagonismo feminino e recebeu o título “A mulher na sociedade”, com a trajetória da cientista e feminista Bertha Lutz como pano de fundo.
A apresentação foi feita com cartazes com frases e ilustrações de efeito, e um banner com uma linha do tempo, mostrando o que mudou na forma como a mulher (cis¹ e trans²) é vista pelo mundo, passando por momentos históricos importantes como a conquista do direito ao voto e dos direitos trabalhistas femininos. “Nessa linha do tempo pudemos perceber as diferenças entre o feminismo atual e o da década de 60, por exemplo.”
Além de sites e blogs especializados no tema, o grupo Anarcofunk foi fonte de inspiração durante a pesquisa, já que ilustra os ataques cotidianos da sociedade à liberdade e a dignidade das mulheres.

 

Glossário:

cis¹: Cissexual ou cisgênero são termos utilizados para se referir às pessoas cujo gênero é o mesmo que o designado no seu nascimento.
Isto é, configura uma concordância entre a identidade de gênero e o sexo biológico de um indivíduo.
trans²: Transgeneridade refere-se à condição onde a expressão de gênero e/ou identidade de gênero de uma pessoa é diferente daquelas atribuídas ao gênero designado no nascimento. Mais recentemente o termo também tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa “além de”, “através de”.
Transgênero é um conceito abrangente que engloba grupos diversificados de pessoas que têm em comum a não identificação com comportamentos e/ou papéis esperados do gênero biológico, determinado no seu nascimento.

A Menina Distraída vira heroína

Vanessa Bencz é uma joinvillense que se descobriu com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) muito jovem, ainda em idade escolar.

Por causa das distrações constantes recebeu diversos apelidos pejorativos na adolescência: Burra, lixo, avoada, cabeça de vento, foram alguns deles. Mas ela não se deixou vencer pelas ofensas que ouviu.

Cresceu, superou os obstáculos e hoje, 20 de outubro, Dia Mundial de Combate ao Bullying, lança o primeiro capítulo da HQ A Menina Distraída. A produção foi financiada pela plataforma de financiamento colaborativo Catarse. Veja aqui o projeto.

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Conheça o site da HQ e faça o download gratuito da obra em: http://ameninadistraida.com.br/

Tarrafa Hacker Clube – O primeiro Hackerspace de Florianópolis

Imagine um laboratório para você pôr em prática ideias e projetos, onde se compartilhe conhecimentos e o foco não seja necessariamente a construção de algo comercializável.  Com programação fixa de atividades, porém aberto à utilização criativa do ambiente e do tempo, conforme os interesses dos frequentadores que montam, desmontam e transformam velhos aparelhos eletrônicos em máquinas inéditas.  Esta é uma descrição resumida das possibilidades de um Hackerspace e engana-se quem pensa que esse tipo de espaço reúne apenas entendidos em eletrônica e programação.

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Leia o artigo na íntegra em: http://www.ganesha.org.br//pagina/16115/tarrafahackerclube-oprimeirohackerspacedeflorianopolis